Revista Brotéria

  
OUTUBRO 2017 - Outubro de 1917: o caminho para a utopia PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Jaime Nogueira Pinto   


Curiosamente, a Revolução de Outubro foi feita contra a teoria básica evolutiva do marxismo, que previa que as condições revolucionárias objectivas só estavam reunidas nos países completamente industrializados – como a Alemanha, a Grã-Bretanha e a França. Segundo as leis da História e do materialismo científico, a Rússia, ainda feudal, com uma monarquia quase absoluta e uma sociedade religiosa e camponesa, não podia nem devia ser o berço da revolução socialista. Mas foi, e não é absurdo que tenha sido.

Ali, a recepção das ideias marxistas acontecera cedo e em força. Das Kapital tinha sido traduzido para russo em 1872 e a censura czarista autorizara a publicação, alegando que se tratava de um livro esotérico de economia política, pouco susceptível de ser lido pela maioria dos russos. Mas enquanto na Alemanha a primeira edição de mil exemplares levaria anos a esgotar, na Rússia, só em S. Petersburgo, tinham-se vendido quase mil livros em poucas semanas e a edição de três mil exemplares esgotaria rapidamente. O próprio Marx se admirara com o inesperado sucesso que, aparentemente, tinha feito dele o “representante da jovem Rússia”.[1]

Impressionados com a súbita popularidade, Marx e Engels, os redactores do Manifesto Comunista, puseram-se a aprender russo. Marx começou por prestar homenagem a Nicolai Chernyshevsky, autor do romance O que Fazer?, publicado em 1863. Chernyshevsky, um linguista emérito e estudioso de literatura utópica, discípulo de Fourier e  Feuerbach mas também de Alexander Herzen e Vissarion Belinsky, foi um dos fundadores do Narodnik, um movimento populista revolucionário também inspirado por Herzen. Tinha escrito o famoso romance encarcerado na fortaleza de São Pedro e São Paulo.

Os populistas russos acreditavam na bondade e na capacidade revolucionária dos camponeses e a sua ideologia integrava aspectos de utopismo passadista. Os Narodniks, ou “populistas”, defendiam o “camponês russo” e viam nele a personificação de uma classe revolucionária idealizada, uma classe que libertaria o Império russo da tirania dos czares. Defendiam a acção directa contra a monarquia e estiveram na base do Narodnaya Volya (A Vontade do Povo) que ia optar decididamente pelo terrorismo. Seria uma das suas células que, em 1 de Março de 1881, assassinaria o czar Alexandre II, o czar que abolira a servidão no campo russo.

Lenine citava repetidamente o livro de Chernyshevsky, que segundo a mulher, Krupskaya, lera cinco vezes, e do qual roubara o título – O que Fazer? – para o seu panfleto sobre as condições da revolução. [2] 

Chernyshevsky também se inspirara no utopismo progressista de Saint-Simon e no optimismo positivista de Augusto Comte. Queria substituir Deus pelo homem; um homem concebido segundo o materialismo de Feuerbach mas agindo segundo um schmittiano “egoísmo racional”. O romance O que Fazer? Algumas histórias da nova gente, contava a história de um grupo de jovens revolucionários socialistas que se relacionavam segundo novos padrões éticos e comportamentais e viviam uma série de peripécias folhetinescas mas entremeadas de discursos ideológicos justificativos. No final, a heroína, Vera, era “levada num sonho” a um mundo utópico organizado em “falanstérios de vidro, alumínio, trabalho, igualdade e fornicação”.[3]

No romance havia uma misteriosa personagem de nome Rakhmatov, uma mistura de Bogatyr, o lendário cavaleiro das sagas eslavas, as Bilinas, e dos santos monges russos, que vivia numa auto-infligida austeridade, funcionando como uma espécie de deus ex-machina da trama. Rakhmatov era a materialização do ideal do revolucionário profissional.

O livro – fraco em estilo – foi muito mal recebido por escritores e críticos da época, como Herzen e Turguenev. Dizia-se que os censores só o tinham deixado passar na esperança de que “o horrível estilo da narrativa prejudicasse a causa revolucionária”.[4]

Não seria assim. A obra – apesar do estilo – acabaria por ter enorme influência nos jovens russos da pequena burguesia e da classe média, cansados da Velha Rússia e revoltados contra o czarismo. Os novos costumes, as complicadas relações psicológicas e romântico-sexuais dos protagonistas, as suas vidas em cooperativas ou falanstérios, inspiraram novas gerações de descontentes. Rakhmatov tornou-se um modelo para jovens intelectuais idealistas desejosos de acção, como o célebre Sergei Nechaev, autor do Catecismo de um Revolucionário. Ia ser o livro preferido de Alexandre, o irmão mais velho de Lenine, cujo exemplo, processo e execução iriam arrastar para a acção política o pai da revolução russa.

O próprio Herzen, apesar das críticas ao livro, reconheceria que os jovens russos que tinham aparecido em cena depois de 1862 vinham todos inspirados por Chernyshevsky.

A influência das ideias e dos modelos literários foi decisiva: os revolucionários do século XVIII tardio, tal como os Founding Fathers americanos e os jacobinos franceses, inspiravam-se na Antiguidade Clássica, sobretudo na História de Roma, e os conspiradores e terroristas românticos que povoam a História russa das últimas décadas do século XIX tinham como modelo homens livres mas austeros, dedicados à gloriosa missão de libertar o povo agrilhoado.[5]

A ideia de uma comunidade de revolucionários assentava numa realidade enraizada na Literatura. O que movia os revolucionários russos do séc. XIX, talvez mais do que os resultados concretos da sua acção ou de que um abnegado espírito de sacrifício no combate à injustiça, era um desejo de viver perigosamente e gloriosamente, de “viver uma vida de livro”, de participar num “mundo reencantado”.[6]

 

Da subversão à revolução

Vindo de uma família da burguesia do Estado e catapultado para a luta pela morte do irmão, Lenine vai marcar a transformação do ideal revolucionário e da ideia de herói revolucionário, começando por rejeitar, no seu primeiro escrito teórico, “o romantismo conspiratório dos populistas pequeno-burgueses”. De resto, a história dos dois irmãos Ulyanov é simbólica da evolução do movimento revolucionário russo, que vai passar do populismo e do niilismo activistas para um marxismo mais sistemático e racionalizado, também apologista da acção directa e da força transformadora da violência.

A obra de G.V. Plekhanov foi fundamental para a transição: Plekhanov, que começara por ser populista, concluiria que a revolução só seria possível através de uma consciencialização de classe por parte do nascente proletariado russo. Também no seu O que são os Amigos do Povo e como combatem os Sociais-Democratas, de 1893, o jovem Lenine atacaria a falta de racionalidade e reflexão científica dos populistas, que não se tinham dado conta de que na Rússia existia já uma indústria manufactureira e, consequentemente, uma classe trabalhadora explorada. Para Lenine, as teses dos populistas, sobretudo as de Nicolai Mikhailovsky, totalmente alheadas das novas realidades, não passavam de teses de “democratas pequeno-burgueses, cujas perspectivas reflectiam a posição social do campesinato”.[7]

A industrialização da Rússia tivera muito que ver com os audaciosos programas de desenvolvimento do ministro das Finanças, Sergei Witte. Witte recorrera ao empréstimo externo e lançara-se na exploração da Rússia Oriental para Leste, com a construção do Transiberiano. Em poucos anos, a Rússia triplicara a produção de carvão, petróleo, ferro e aço e duplicara a extensão das vias férreas.

Entre 1865 e 1900, o número de operários fabris também triplicara, de 700.000 para 2 200 000. Em 1913, nas vésperas da Grande Guerra, eram já cerca de 3 000 000. A legislação social também se fora desenvolvendo, embora, em 1897, o dia de trabalho pudesse chegar às 11 horas e 30 minutos e, aos sábados, às 10 horas.

Mas ao contrário do que defendem as teses oficiais do período soviético sobre os finais da época czarista, e comparando o custo de vida em São Petersburgo e Moscovo com o de algumas cidades da Europa Ocidental, as condições de vida na Rússia não eram particularmente miseráveis. A Rússia começara havia pouco a industrialização (que no resto da Europa já levava mais de um século) e a taxa de crescimento dos salários reais era, por isso, significativa.[8]

É a guerra que, a partir de 1914, vai destruir parte dessa estrutura e obrigar a uma drástica quebra da produção e do abastecimento. É essa escassez e o número de perdas humanas (dois milhões de mortos entre os 15 milhões de camponeses e trabalhadores mobilizados para as fileiras) que vão pôr a Rússia em forma para a Revolução.

Lenine e os bolcheviques (minoritários, apesar do nome) estão preparados para o assalto ao poder. E porque para toda a esquerda revolucionária a acção, mesmo quando oportunista, maquiavélica e contrária às leis científicas do marxismo, deve ter um fundamento teórico, a revolução é legitimada invocando a janela de oportunidade aberta pelo conflito. É o próprio Lenine, recém-chegado à Rússia com apoio alemão, que o proclama nas famosas Teses de Abril.

O processo fora já facilitado pela situação caótica da Rússia e pela fragmentação étnico-social dos povos do Império, sob um sistema político ambíguo, entre a autocracia e o constitucionalismo.

 

Os portadores de novas civilizações

Rasputine fora assassinado nas vésperas do Natal de 1916 e a monarquia dos Romanov desapareceria em menos de três meses. Da sua queda e do ano decisivo de 1917 ia nascer outra Rússia e outro século: o longo século XX, um século marcado e determinado pela Rússia Soviética, pela sua vontade de conquistar o mundo para o comunismo e pela resistência que desencadeou.

A palavra de ordem de Alexander Blok dava o tom ao século que aí vinha: “Refazei tudo. Organizai-vos de modo a fazer tudo de novo, para que a nossa vida falsa, suja, aborrecida, feia, se torne justa, limpa, feliz e bela”.[9]

O “fantasma” que, segundo Marx e Engels no Manifesto Comunista, pairava sobre a Europa, acabava de materializar-se. Ao longo da Primavera, Verão e Outono de 1917, os bolcheviques tinham preparado a insurreição que em Outubro assaltaria o Palácio de Inverno, neutralizaria mencheviques, socialistas, arranjistas e socialistas revolucionários e tomaria o poder na Rússia. Depois, exterminariam sem hesitações toda a resistência à esquerda e à direita em Petrogrado, enfrentando numa sangrenta guerra civil os exércitos Brancos, apoiados pelas potências. Consolidado o poder, e enquanto na Rússia construíam a primeira sociedade socialista da História, começariam a tentar levar a revolução e a utopia ao resto do mundo.

O caminho para a realização da utopia passava por um programa expedito de combate aos grupos e estruturas considerados inimigos naturais do regime: com a guerra civil, a aristocracia e os corpos de oficiais tinham sido dizimados e forçados ao exílio, e parte da burocracia do Estado e a Igreja ortodoxa, bem como a nascente burguesia industrial e financeira, seguiriam o mesmo caminho.

Para a execução rápida destas campanhas, o novo Código Criminal de 1922 deixava quase todos os acusados sem defesa. A perseguição às igrejas – às ortodoxas mas também às católicas e judaicas – era uma prioridade. Na primeira metade dos anos 20, centenas de bispos e sacerdotes foram assassinados e milhares foram feitos prisioneiros. Os templos foram invadidos, os objectos de culto saqueados e, por indicação do Partido Comunista, as células do Komsomol (Juventude Comunista da União Soviética) receberam indicações para, no tempo do Natal e do Ano Novo, fazerem os chamados “Carnavais do Komsomol”, desfiles grotescos com imagens e símbolos sagrados, destinados a ridicularizar as cerimónias e as práticas religiosas.[10] 

Contra a religião – o famoso “ópio do povo” – os comunistas desenvolveram uma campanha de desmistificação e descredibilização das crenças populares, tentando substituir o tradicional torpor do velho “ópio” pelos efeitos químicos e comprovados de drogas mais “científicas”. Além de se dedicarem intensamente à actividade de desconstruir milagres, criavam no campo dois tipos de terrenos agrícolas: os “hectares de Deus” e os “hectares Ateus”: os primeiros eram adubados com água benta, os segundos com fertilizantes químicos. Vendo a diferença, os agricultores poderiam escolher entre Deus e a Ciência. Alguns camponeses chegaram a ser levados de avião para que vissem que no Céu não havia deuses nem anjos. Era o “ateísmo científico”.

            Instituíram-se também cursos de ateização e a União dos Militantes Sem Deus lançou debates públicos sobre o tema “Deus existe?”, em que debatiam a questão com clérigos ortodoxos. Estes, durante a sessão e vergados à dialética dos comunistas, convertiam-se publicamente ao ateísmo (tinham previamente passado pela tortura e pela prisão a fim de confessarem as suas convicções, de se arrependerem delas e de serem absolvidos). Por vezes a situação invertia-se e era embaraçosa para a Ciência. Num debate em que o sem-Deus de serviço responde à pergunta “Então se não foi Deus quem fez a Natureza, quem foi?” com um “Foi a Natureza que se fez a si própria!”, os camponeses não contiveram as gargalhadas.

            De resto, à semelhança do que sucedera na Revolução Francesa, os comunistas procuraram transpor para o culto da ideologia e dos heróis e mitos revolucionários a devoção e fé tributadas pela religião a Deus e aos Santos. Assim, o que era o baptizado passou a “Outubrização”, com os pais a comprometerem-se a educar os filhos no espírito do comunismo e a receberem como brinde retratos de Lenine em bebé. Os casamentos abandonaram os templos e passaram a celebrar-se nas fábricas ou nos clubes recreativos, com os noivos a jurarem lealdade mútua aos princípios do comunismo perante o eterno retrato de Lenine. [11]

            Um autor satírico da época reproduz a fórmula:

Prometes seguir a linha do comunismo tão corajosamente como agora te opões à Igreja e aos costumes dos velhos? Prometes inscrever os teus filhos nos Jovens Pioneiros, educá-los, introduzir métodos científicos na agricultura e lutar pela revolução mundial? Então, em nome do nosso chefe, Camarada Vladimir Ilitch Lenine, declaro celebrado este Casamento Vermelho. [12]

            Mas a febre de reformulação dos “costumes dos velhos” não era só matrimonial. Em 1921, começava uma campanha para retirar dos templos ícones, cruzes, cálices. Qualquer resistência dos sacerdotes ou dos fiéis era contrariada pela força. Mais de 7.000 religiosos, dos quais metade eram freiras, foram mortos a defender as igrejas do saque.

            Na altura, Lenine concluíra assim um discurso:

Cheguei à conclusão inequívoca que devemos levar por diante, agora, uma guerra decisiva e sem perdão contra o clero das Centúrias Negras e acabar com a sua resistência, de tal maneira que eles não esqueçam nas décadas próximas…Quanto mais membros da burguesia reaccionária e do clero conseguirmos abater, melhor. [13]

            A perseguição anti-religiosa não se limitava à igreja cristã ortodoxa. Os judeus também a sofreram: entre 1921 e 1925, oitocentas sinagogas foram fechadas ou convertidas em “clubes operários”, escolas ou fábricas.

            Os bolcheviques atacaram as instituições familiares com o mesmo espírito: contra a educação religiosa e familiar foi instituída uma educação comunista integral que começava com os Pioneiros, uma espécie de escuteiros comunistas, com marchas, cantos, ginástica, desportos, uniformes, bandeiras. Dos Pioneiros, os jovens passavam para o Komsomol, a Liga Comunista da Juventude, onde estavam dos 15 aos 25 anos, até irem para o Partido.

No campo, a revolução também se impunha pela força. No início, os camponeses rejubilaram com a ocupação das grandes propriedades. Durante a guerra civil, os Brancos tinham seguido uma política desastrosa de supressão das medidas de reforma agrária das autoridades comunistas. Mas as requisições de cereais e abastecimentos pelos bolcheviques também levariam a revoltas camponesas, como a liderada pelo socialista revolucionário Alexander Antonov, na província de Tambov, uma rebelião que foi esmagada pelas forças bolcheviques comandadas por Antonov-Ovsenko e por Tukhachevsky,  integrando voluntários internacionais chineses e húngaros.[14] Antonov foi capturado e morto pela GPU (Gossudártsvenoe Politítcheskoe Upravlénie – Direcção Política Estatal),

Os bolcheviques estavam decididos a liquidar qualquer oposição à direita e à esquerda. Durante as revoltas camponesas, os marinheiros de Kronstadt, entretanto sublevados contra Lenine, eram também esmagados sem contemplações.

Em 1922, as  Tchekas, unidades da polícia política que se ocupavam dos crimes políticos, tinham sido substituídas pela GPU, que continuara a ser comandada por Felix Dzerzhinsky e a contar com cerca de 100.000 profissionais, além das forças militares e militarizadas que tinha à disposição.

Também sob a égide da GPU foram criados os primeiros campos de concentração, prisões em território russo e “agências” no exterior, para vigiar os inimigos e os emigrados e, por vezes, raptá-los ou executá-los. O papel do sistema judicial também se tornara evidente – e Lenine, sempre claro, explicitava-o bem:

O papel do sistema judicial não é verificar o cumprimento e a salvaguarda dos direitos dos acusados mas permitir e providenciar uma cobertura jurídico-legal para o terror. O Tribunal não elimina o terror mas consubstancia-o e legitima-o nos seus princípios.[15]

A revolução destruíra o odiado Ancien Régime mas não construíra – ainda – a Utopia.




[1] Roger Pethybridge, The Spread of the Russian Revolution: Essays on 1917, Palgrave Macmillan, UK, 1972, p.113.

[2] V.I. Lenin, Lenin on Literature and Art, Wildside Press, p. 219

[3] Adam Weiner, “The Most Dangerous Book You’ve Never Heard Of”, Politico Magazine, December 11, 2016

[4] Adam Weiner, “The Most Dangerous Book You’ve Never Heard Of”; Sobre os critérios da Guerra cultural europeia no século XIX, cfr The War for the Public Mind: Political Censorship in Nineteenth-Century Europe, Robert Justin Goldstein ed., Praeger, Westport, Connecticut, London, 2000

[5] Cfr Claudia Verhoeven, “Adventures in Terrorism: Sergei Stepniak-Kravchinsky and the Literary Lives of the Russian Revolutionary Community (1860-80)” in Kinship, Community and Self – Essays in Honnor of David Warren Sabean, Edited by James Coy, Benjamin Marschke, Jared Poley and Claudia Verhoeven, Bergham Books, New York. Oxford 2014.

[6] Claudia Verhoeven, “Adventures in Terrorism: Sergei Stepniak-Kravchinsky and the Literary Lives of the Russian Revolutionary Community (1860-80)”, p.166

[7] Cfr. David North, The Origins of Bolshevism and What is to Be Done, World Socialist Web Site, p. 37

[8] Cfr Ekaterina Khaustova, Pre-revolution living standards: Russia 1888-1917, Annual Conference of the Economic History Society, 2013

[9] Citado em Eloy, Foreign Democracy: The History of the Left in Europe, 1850-2000, Oxford University Press, New York, 2002, p.203

[10] Pipes, Russia Under the Bolshevik Regime,  pp.357-358

[11] Cfr. Orlando Figes, A People’s Tragedy, pp. 745-751.

[12] Orlando Figes, A People’s Tragedy, pp. 747-748.

[13] Citado por Orlando Figes, A People’s Tragedy, p. 741.

[14] Pipes, Russia Under the Bolshevik Regime, pp.386-387

[15] Pipes, Russia Under the Bolshevik Regime, p.401.

 
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